JurisprudênciaIA

Incidem multa e juros na indenização de contribuições previdenciárias de período anterior à MP 1.523/1996?

Atualizado em 07/07/2026 · Fundamentado em jurisprudência de STJ

Resposta rápida

Não. O STJ fixou no Tema 1103 que as contribuições previdenciárias não recolhidas na época própria só sofrem acréscimo de multa e juros quando o período a ser indenizado for posterior à edição da Medida Provisória 1.523/1996, convertida na Lei 9.528/1997. Antes desse marco, não havia previsão legal para a cobrança dos encargos.

Por que a data da MP 1.523/1996 é o divisor de águas

A possibilidade de o contribuinte indenizar períodos não recolhidos para fins previdenciários existe há décadas, desde a antiga LOPS, e foi reafirmada na Lei 8.213/1991 e na Lei 9.032/1995. O que faltava era base legal para cobrar juros e multa sobre esses valores.

Somente a partir de 11/10/1996, com a MP 1.523/1996 (convertida na Lei 9.528/1997), passou a existir previsão expressa de juros moratórios de 1% ao mês e multa de 10% sobre os valores apurados, com o acréscimo do § 4º ao art. 45 da Lei 8.212/1991. Sem lei, não há como o INSS exigir esses encargos, e tampouco cabe aplicá-los retroativamente.

O alcance prático do precedente

A tese vale para quem indeniza contribuições de competências anteriores a outubro de 1996: sobre essas parcelas incidem apenas os valores principais, sem multa nem juros. Para períodos posteriores à MP, os encargos são devidos normalmente.

O STJ registrou que sua jurisprudência já era pacífica nesse sentido e que a afetação como repetitivo se deveu à insistência recursal do INSS. Com o precedente vinculante, os tribunais locais devem barrar recursos contrários, e a postulação contra a tese pode ser tratada como litigância de má-fé.

O que dizem os tribunais

Informativo 737 do STJ · Tema 1.103

As contribuições previdenciárias não recolhidas no momento oportuno sofrerão o acréscimo de multa e de juros apenas quando o período a ser indenizado for posterior à edição da Medida Provisória n. 1.523/1996 (convertida na Lei n. 9.528/1997).

Decisões recentes sobre o tema

Selecionadas automaticamente na nossa base e atualizadas com frequência.

Acórdão

j. 08/06/2026

PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS PATRONAIS, RAT E DE TERCEIROS. BANCO DE HORAS. NATUREZA REMUNERATÓRIA. MULTA PREVISTA NO ART. 1.021, § 4º, DO CPC/2015. DESCABIMENTO.I - É firme o posicionamento deste Superior Tribunal de Justiça, segundo o qual incidem as contribuições previdenciárias patronais, RAT e de terceiros sobre valores pagos a título de banco de horas.II - Em regra, descabe a imposição da multa, prevista…

Acórdão

Quarta Turma · Rel. Ministro Raul Araújo · j. 03/11/2025

DIREITO PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. BASE DE CÁLCULO DE MULTA E HONORÁRIOS. PRECLUSÃO. AGRAVO CONHECIDO. RECURSO ESPECIAL DESPROVIDO. 1. Agravo em recurso especial interposto contra decisão que inadmitiu recurso especial fundamentado no art. 105, III, "a", da Constituição Federal, em face de acórdão do Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul que negou provimento ao agravo de instrumento, reconhecendo a preclusão quanto ao d…

Acórdão

Primeira Turma · Rel. Ministra Regina Helena Costa · j. 13/10/2025

PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AO ART. 1.022 DO CPC. INOCORRÊNCIA. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DO PIS/COFINS DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS COTA PATRONAL, SAT/RAT E CONTRIBUIÇÕES DE TERCEIROS. FUNDAMENTOS DO ACÓRDÃO RECORRIDO NÃO IMPUGNADOS. RAZÕES RECURSAIS DIVERSAS. SÚMULAS N. 283 E 284 DO STF. TEMA 69/STF. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE EM SEDE DE RECURSO ESPECIAL. COMPETÊNCIA DO STF. MULTA PREVISTA NO ART. 1.021, § 4º, DO CPC/201…

Acórdão

Primeira Turma · Rel. Ministro Gurgel de Faria · j. 08/09/2025

PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO AO SESI. MULTA MORATÓRIA PRÓPRIA DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. NÃO INCIDÊNCIA. AUXÍLIO EDUCAÇÃO, AUXÍLIO-ESCOLAR E ABONO DISSÍDIO. NATUREZA INDENIZATÓRIA. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO. VALOR PAGO AO MENOR APRENDIZ. REVOLVIMENTO DE FATOS E PROVAS. NECESSIDADE. JULGAMENTO ULTRA PETITA. REEXAME FÁTICO-PROBATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE. 1. A jurisprudência do STJ estabelece que a multa moratória própria das contribuições previdenciárias não…

Acórdão

Terceira Turma · Rel. Ministro Marco Aurélio Bellizze · j. 23/10/2023

AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. PREVIDÊNCIA PRIVADA. INEXISTÊNCIA DE DECISÃO TRANSITADA EM JULGADO DETERMINANDO O DESCONTO DE CONTRIBUIÇÕES NO PERÍODO SUPERAVITÁRIO. REVISÃO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 7/STJ. TESE DE QUE AS CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS SERIAM DE ORDEM EXTRAORDINÁRIA, NÃO ABRANGIDAS PELA SUSPENSÃO DE COBRANÇA NO PERÍODO SUPERAVITÁRIO. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 211/STJ. AUSÊNCIA DE MORA. FUNDAMENTO INATACADO. SÚMULAS 283 E…

Acórdão

Primeira Turma · Rel. Ministro Gurgel de Faria · j. 09/11/2022

ADMINISTRATIVO. SERVIDOR PÚBLICO. CONTAGEM RECÍPROCA. TEMPO DE SERVIÇO RURAL. TEMA 609 DO STJ. CONTRIBUIÇÃO. COMPROVAÇÃO. 1. A Primeira Seção desta Corte, no julgamento dos Recursos Especiais repetitivos 1.682.678/SP e 1.682.682/SP, firmou a compreensão de que o tempo de serviço rural em período anterior à vigência da Lei n. 8.213/1991 somente pode ser computado para efeito de contagem recíproca se, "com a certidão de tempo de serviço rural, acostar o comprovante de pagamento…

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