JurisprudênciaIA

Conversa informal do juiz com o réu sem advogado antes da audiência anula o processo?

Atualizado em 07/07/2026 · Fundamentado em jurisprudência de STJ

Resposta rápida

Sim. Para o STJ, em julgado divulgado em informativo, a oitiva informal do acusado pelo juiz no corredor do fórum, sem advogado e antes da audiência, com influência sobre o depoimento, viola o dever de imparcialidade e gera nulidade absoluta, que não se convalida nem mesmo sob o argumento de ausência de prejuízo.

Por que a conduta gera nulidade absoluta

O devido processo legal (art. 5º, LIV, da Constituição) impõe ao juiz deveres de prudência, imparcialidade e transparência na condução da instrução. No caso, o magistrado que presidiria a audiência ouviu informalmente o acusado, um adolescente em processo por ato infracional, fora da solenidade e sem defensor, e mencionou esse diálogo durante o ato para influenciar o depoimento.

O STJ qualificou a atuação como flagrante ilegalidade: a quebra de imparcialidade do julgador é causa de nulidade absoluta segundo o entendimento pacífico da Corte, de modo que não se cogita da validade do ato nem a pretexto de ausência de prejuízo.

O paralelo com a confissão informal

O julgado invocou a tese da Terceira Seção sobre confissão extrajudicial: ela só é admissível se colhida formalmente, de maneira documentada e em estabelecimento estatal oficial, garantias irrenunciáveis cuja violação torna a prova inadmissível, mesmo que introduzida por via indireta, como o testemunho do policial que a colheu.

Se a confissão informal já exige escrutínio rigoroso na fase extrajudicial, com maior razão se protege o devido processo quando o diálogo informal parte do próprio juiz da causa. Na prática, a defesa que identifica atuação do magistrado fora dos autos pode arguir a nulidade, e os tribunais avaliam em cada caso se houve efetiva quebra de imparcialidade.

O que dizem os tribunais

Informativo 830 do STJ · RE 1.301.250

Verificada a atuação extra autos do magistrado que influencia no depoimento do acusado, não se pode cogitar da validade do ato, nem sequer a pretexto de ausência de prejuízo, visto que a quebra de imparcialidade do juiz gera nulidade absoluta.

Decisões recentes sobre o tema

Selecionadas automaticamente na nossa base e atualizadas com frequência.

Acórdão

Sexta Turma · Rel. Ministra Nilsoni de Freitas (Desembargadora Convocada do Tjdft) · j. 09/06/2026

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Acórdão

Quinta Turma · Rel. Ministro Messod Azulay Neto · j. 13/05/2026

DIREITO PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. SUBSTITUTIVO DE RECURSO PRÓPRIO. EXCEÇÃO DE SUSPEIÇÃO DE MAGISTRADA. ALEGADA VIOLAÇÃO AO JUIZ NATURAL E À IMPARCIALIDADE SUBJETIVA. INEXISTÊNCIA DE FLAGRANTE ILEGALIDADE. NECESSIDADE DE DILAÇÃO PROBATÓRIA. AGRAVO DESPROVIDO.I. CASO EM EXAME1. Agravo regimental interposto contra decisão monocrática que não conheceu de habeas corpus impetrado em favor de acusado em ação penal, no qual se pretendia o reconhecimento da…

Acórdão

j. 13/05/2026

DIREITO PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. SUBSTITUTIVO DE RECURSO PRÓPRIO. EXCEÇÃO DE SUSPEIÇÃO DE MAGISTRADA. ALEGADA VIOLAÇÃO AO JUIZ NATURAL E À IMPARCIALIDADE SUBJETIVA. INEXISTÊNCIA DE FLAGRANTE ILEGALIDADE. NECESSIDADE DE DILAÇÃO PROBATÓRIA. AGRAVO DESPROVIDO.I. CASO EM EXAME 1. Agravo regimental interposto contra decisão monocrática que não conheceu de habeas corpus impetrado em favor de acusado em ação penal, no qual se pretendia o reconhecimento d…

Acórdão

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Acórdão

Quinta Turma · Rel. Ministro Messod Azulay Neto · j. 17/06/2025

DIREITO PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL. HABEAS CORPUS. IMPARCIALIDADE DO JUIZ-PRESIDENTE. RECURSO NÃO PROVIDO. I. Caso em exame 1. Agravo regimental interposto contra decisão que não conheceu do habeas corpus impetrado para cassar acórdão desfavorável ao recorrente, condenado pelo Tribunal do Júri por homicídio qualificado. 2. O impetrante alega nulidade por quebra de imparcialidade do juiz-presidente, que teria interrompido a sustentação oral da defesa e dispensado trat…

Acórdão

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DIREITO PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. EXCEÇÃO DE SUSPEIÇÃO DE MAGISTRADO. PROTAGONISMO NA INSTRUÇÃO CRIMINAL. NÃO CONFIGURAÇÃO DE NULIDADE. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO. AGRAVO DESPROVIDO. I. CASO EM EXAME 1. Agravo regimental interposto contra decisão monocrática que não conheceu de habeas corpus substitutivo e não concedeu ordem de ofício. A impetração alegava suspeição do Magistrado de primeiro grau, responsável pela condução da instrução criminal, sob o ar…

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