JurisprudênciaIA

O limite de 1.000 maços para aplicar a insignificância no contrabando de cigarros vale para cigarros eletrônicos?

Atualizado em 07/07/2026 · Fundamentado em jurisprudência de STJ

Resposta rápida

Não. O STJ decidiu, em precedente divulgado em informativo, que o limite de 1.000 maços fixado no Tema Repetitivo 1143 para aplicar a insignificância ao contrabando de cigarros não se estende aos cigarros eletrônicos. Além disso, no contrabando não se considera o valor dos tributos iludidos, parâmetro que vale apenas para o descaminho.

Por que o parâmetro dos 1.000 maços não se transfere

O Tema Repetitivo 1143 admitiu excepcionalmente a insignificância no contrabando de cigarros quando a apreensão não ultrapassa 1.000 maços, salvo reiteração da conduta, com base em dados estatísticos que mostravam a ineficácia da persecução penal nesses volumes. Esse raciocínio foi construído para cigarros convencionais.

Para o STJ, cigarros eletrônicos são diferentes: não se consomem com o uso, podem ser utilizados por diversos usuários por período indeterminado e são produtos de uso proibido no país, o que aumenta consideravelmente o perigo à saúde pública. Por isso, o limite quantitativo do repetitivo não serve de referência para eles.

Contrabando não se mede pelo valor do tributo

O precedente também reafirma que, no contrabando (art. 334-A do CP), a eventual aplicação da insignificância não leva em conta o valor dos tributos iludidos nem o teto de R$ 20.000,00 usado para o ajuizamento de execuções fiscais. Esse critério econômico pertence ao descaminho (art. 334 do CP), crime de natureza distinta.

Na prática, quem é flagrado com cigarros eletrônicos importados irregularmente dificilmente obterá o reconhecimento da insignificância com base na quantidade ou no valor. A análise, ainda assim, é feita caso a caso pelos tribunais, considerando as circunstâncias concretas da apreensão.

O que dizem os tribunais

Informativo 853 do STJ

1. O limite de 1.000 maços estabelecido no Tema Repetitivo 1143 para a incidência do princípio da insignificância não se aplica aos cigarros eletrônicos. 2. A excepcional aplicação do princípio da insignificância no delito de contrabando de cigarros não leva em consideração o valor dos tributos iludidos, parâmetro pertinente ao crime de descaminho.

Decisões recentes sobre o tema

Selecionadas automaticamente na nossa base e atualizadas com frequência.

Acórdão

j. 03/06/2026

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