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Relatório policial produzido por inteligência artificial generativa pode ser usado como prova no processo penal?

Atualizado em 07/07/2026 · Fundamentado em jurisprudência de STJ

Resposta rápida

Não. O STJ, em precedente divulgado em informativo de jurisprudência, decidiu que relatório produzido por investigador de polícia com ferramentas de inteligência artificial generativa não possui confiabilidade epistêmica mínima para ser usado como prova no processo penal, sobretudo diante do risco de alucinação dessas ferramentas.

O problema não é ilicitude, é confiabilidade

O tribunal afastou os argumentos de ilicitude: o relatório não violou normas penais, não ofendeu a cadeia de custódia (os vídeos analisados estavam preservados) e não infringiu o art. 159 do CPP, por não se tratar de perícia, mas de mero documento. O obstáculo é outro: a falta de aptidão racional da prova.

A IA generativa apresenta risco de alucinação, ou seja, de gerar informações imprecisas ou fabricadas com aparência de fidedignidade, porque estrutura respostas com base em padrões estatísticos, e não em consulta a dados reais. No caso, o problema era agravado: pediu-se a transcrição do áudio de um vídeo, mas os grandes modelos de linguagem processam textos, não ondas sonoras, sendo inadequados para análise fonética.

IA não pode prevalecer sobre perícia oficial

No caso concreto, a perícia do Instituto de Criminalística não confirmou traços compatíveis com a palavra ofensiva investigada, mas o relatório gerado por IA concluiu o contrário e acabou embasando a denúncia. O STJ identificou viés de confirmação nessa atuação estatal e lembrou que, embora o juiz possa afastar conclusões periciais (art. 182 do CPP), precisa fazê-lo com motivação técnico-científica idônea, o que um conteúdo sintético gerado por IA não fornece.

Em regra, portanto, relatórios de IA generativa sem o crivo da racionalidade humana carecem de adequação epistêmica e não podem sustentar conclusões sobre fatos no processo penal. Os tribunais examinam caso a caso a qualidade científica dos elementos apresentados, como mostram as decisões listadas abaixo.

O que dizem os tribunais

Informativo 884 do STJ

O Relatório produzido por investigador de polícia com a utilização de ferramentas de inteligência artificial generativa não possui confiabilidade epistêmica mínima para ser utilizado como prova no processo penal.

Decisões recentes sobre o tema

Selecionadas automaticamente na nossa base e atualizadas com frequência.

Acórdão

Quinta Turma · Rel. Ministro Ribeiro Dantas · j. 15/06/2026

PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. CADEIA DE CUSTÓDIA DE PROVA DIGITAL. REGISTROS EXTRAÍDOS DO SISTEMA SIAFEN. CONTROVÉRSIA QUE DIZ RESPEITO À CONFIABILIDADE DO ELEMENTO PROBATÓRIO. INADMISSIBILIDADE DE PRESUNÇÃO DE CONFIABILIDADE. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE AUTOMÁTICA. AUSÊNCIA DE INDICAÇÃO CONCRETA DE VÍCIO. INDEFERIMENTO FUNDAMENTADO DE DILIGÊNCIA. CERCEAMENTO DE DEFESA NÃO CONFIGURADO. recurso improvido.I. Caso em exame1. Agravo regimental interposto cont…

Acórdão

Quarta Turma · Rel. Ministra Maria Isabel Gallotti · j. 15/06/2026

AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. ALEGAÇÃO DE NULIDADE DA DECISÃO AGRAVADA. USO DE FERRAMENTA DE INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL. AUSÊNCIA DE PROVA CONCRETA. IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. SÚMULAS 7 E 83 DO STJ. SÚMULAS 282 E 356 DO STF. FUNDAMENTOS MANTIDOS.1. Não se reconhece nulidade da decisão agravada com base em alegações genéricas de uso de ferramenta de inteligência artificial, sem demonstração concreta de prolação automática, ausência de supervisão humana ou prejuízo pro…

Acórdão

j. 09/06/2026

Direito processual penal. Agravo regimental. Cadeia de custódia.Validade da prova. Necessidade de reexame fático-probatório (Súmula 7/STJ). Agravo IMprovido.I. Caso em exame1. Agravo regimental interposto contra decisão monocrática que conheceu do agravo para negar provimento ao recurso especial.2. Condenação pelo crime do art. 171, caput, do Código Penal, à pena de 1 ano e 4 meses de reclusão, em regime inicial aberto, substituída por restritivas de direitos, além de 13 dias…

Acórdão

Sexta Turma · Rel. Ministro Rogerio Schietti Cruz · j. 09/06/2026

AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. RELATÓRIO PRELIMINAR DE INVESTIGAÇÃO. ILEGALIDADE DA PROVA. NÃO OCORRÊNCIA. QUEBRA DA CADEIA DE CUSTÓDIA DA PROVA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. REGIME INICIAL DE CUMPRIMENTO DE PENA. INDEVIDA INOVAÇÃO RECURSAL. AGRAVO REGIMENTAL CONHECIDO EM PARTE E, NESSA EXTENSÃO, NÃO PROVIDO.1. Sem razão a defesa quando afirma a ilegalidade decorrente da juntada aos autos do Relatório Preliminar de Investigação, quando verificado que hou…

Acórdão

j. 03/06/2026

DIREITO PROCESSUAL PENAL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. PRISÃO PREVENTIVA. ALEGAÇÃO DE DECISÃO AUTOMATIZADA/POR INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. VÍCIO INEXISTENTE. EMBARGOS REJEITADOS.I. CASO EM EXAME1. Embargos de declaração opostos contra acórdão da Quinta Turma em agravo regimental em habeas corpus, no qual, à unanimidade, foi negado provimento ao agravo interposto em favor de paciente preso preventivamente.2. O Embargante afir…

Acórdão

j. 03/06/2026

Direito processual penal. Embargos de declaração. Agravo regimental em habeas corpus. Prisão preventiva. Alegação de decisão automatizada/por inteligência artificial. Supressão de instância.Vício inexistente. Embargos rejeitados.I. Caso em exame1. Embargos de declaração opostos contra acórdão da Quinta Turma em agravo regimental em habeas corpus, no qual, à unanimidade, foi negado provimento ao agravo interposto em favor de paciente preso preventivamente.2. O Embargante afirm…

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As citações são conferidas contra a nossa base de jurisprudência antes da publicação, e a lista de decisões recentes é gerada automaticamente a partir dela. Este conteúdo tem caráter informativo e não constitui aconselhamento jurídico; para um caso concreto, procure um advogado.