Informativo 798 do STJ
“O juiz não pode desconsiderar a cronologia das etapas da valoração das provas, sob pena de facilitar verdadeira inversão do ônus da prova no caso concreto, exigindo da defesa o que primeiro caberia à acusação.”
Atualizado em 07/07/2026 · Fundamentado em jurisprudência de STJ
Sim. Segundo entendimento do STJ em informativo de jurisprudência, condenação fundada exclusivamente em testemunhos sem mínima confiabilidade epistêmica não satisfaz o standard probatório do processo penal e pode ser desfeita em revisão criminal, com base no art. 621, I, do CPP, impondo-se a absolvição quando a sentença contraria a evidência dos autos.
A revisão criminal é medida excepcional, mas o STJ reconheceu que ela não se confunde com simples reexame de provas quando o que se pede é a chamada revaloração ou metavaloração: um controle posterior sobre a correção lógica do raciocínio probatório da condenação. Se a conclusão do juiz não estava lógica e racionalmente autorizada pelas provas dos autos, a sentença é contrária à evidência e pode ser desconstituída.
No caso analisado, a condenação se apoiava unicamente em testemunhos de desafetos do acusado, e o contexto social e político em que os fatos ocorreram, considerado irrelevante pelo juízo de origem, era fundamental para avaliar a credibilidade desses depoimentos. Testemunhos com motivos escusos, como vingança, intimidação ou influência de terceiros, merecem recepção crítica do julgador.
O julgado destaca que a hipótese acusatória deve primeiro ser confirmada por provas dignas de confiança, para só depois ser submetida à falsificação e à comparação com as hipóteses defensivas. O juiz não pode desconsiderar essa cronologia, sob pena de inverter o ônus da prova, exigindo da defesa o que primeiro caberia à acusação.
Se as provas que sustentariam a acusação carecem de confiabilidade epistêmica, a hipótese acusatória nem sequer foi confirmada e não precisa ser refutada pela defesa. Nessa situação, a absolvição se impõe.
Quem foi condenado com base apenas em depoimentos frágeis ou de pessoas com interesse contra o acusado pode buscar a revisão criminal demonstrando o erro na valoração das provas. Os tribunais examinam caso a caso, e a revisão continua sendo via excepcional, mas o precedente reforça o dever de controle epistêmico sobre a qualidade de cada elemento probatório.
“O juiz não pode desconsiderar a cronologia das etapas da valoração das provas, sob pena de facilitar verdadeira inversão do ônus da prova no caso concreto, exigindo da defesa o que primeiro caberia à acusação.”
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j. 09/06/2026
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