JurisprudênciaIA

Qual vara julga estupro contra criança cometido em contexto de violência doméstica?

Atualizado em 07/07/2026 · Fundamentado em jurisprudência de STJ

Resposta rápida

Depende da estrutura da comarca. Conforme entendimento do STJ divulgado em informativo, após o art. 23 da Lei 13.431/2017, o caso tramita na vara especializada em crimes contra a criança e o adolescente; se ela não existir, na vara de violência doméstica; e só na falta de ambas na vara criminal comum, observada a modulação de efeitos fixada pelo tribunal.

A regra de competência após a Lei 13.431/2017

O STJ resolveu divergência entre suas turmas criminais e fixou que o critério etário não afasta a proteção especializada: o estupro cometido pelo pai, padrasto, companheiro, namorado ou pessoa em situação similar contra criança ou adolescente no ambiente doméstico ou familiar atrai a competência especializada, independentemente de considerações sobre idade, sexo da vítima ou motivação da violência.

A ordem legal é escalonada: primeiro as varas especializadas em crimes contra a criança e o adolescente, previstas no caput do art. 23; enquanto não criadas, os juizados ou varas de violência doméstica, conforme o parágrafo único; e apenas na ausência de ambas a vara criminal comum.

A modulação de efeitos

Por se tratar de competência absoluta e de mudança da jurisprudência dominante, o STJ modulou a aplicação da tese. As ações distribuídas até a data de publicação do acórdão permanecem nas varas em que tramitavam, sejam varas de violência doméstica, sejam varas criminais comuns.

Já as ações distribuídas após a publicação do acórdão devem obrigatoriamente ser processadas nos juizados ou varas de violência doméstica onde não houver vara especializada da infância, indo à vara criminal comum somente na ausência de ambas as estruturas. A situação de cada processo, portanto, depende do marco temporal e da organização judiciária local.

O que dizem os tribunais

Informativo 755 do STJ

Após o advento do art. 23 da Lei n. 13.431/2017, nas comarcas em que não houver vara especializada em crimes contra a criança e o adolescente, compete à vara especializada em violência doméstica, onde houver, processar e julgar os casos envolvendo estupro de vulnerável cometido pelo pai (bem como pelo padrasto, companheiro, namorado ou similar) contra a filha (ou criança ou adolescente) no ambiente doméstico ou familiar.

Decisões recentes sobre o tema

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