JurisprudênciaIA

Crime sexual contra criança antes da Lei 12.015/2009 dependia de representação da vítima?

Atualizado em 07/07/2026 · Fundamentado em jurisprudência de STJ

Resposta rápida

Não. O STJ firmou que, mesmo antes da Lei 12.015/2009, a ação penal por crimes sexuais contra crianças era pública incondicionada, de modo que o Ministério Público já era parte legítima para propô-la independentemente de representação da vítima ou de seus representantes. A proteção integral à infância é dever do Estado previsto na Constituição.

Por que a representação era dispensável

Sob a redação anterior do art. 225 do Código Penal, discutia-se a natureza da ação penal nos crimes sexuais. O STJ entendeu que, quando a vítima era criança, a ação penal era pública incondicionada em razão da menoridade, não se podendo condicionar a persecução penal de crimes hediondos à opção dos representantes legais da vítima ou a critério econômico.

O fundamento central é a indisponibilidade do bem jurídico protegido: a liberdade sexual da criança, que não possui capacidade plena para determinar seus atos, dada a sua vulnerabilidade, ainda que não tenha havido violência real.

Aplicação a fatos anteriores à Lei 12.015/2009

No caso analisado, os fatos ocorreram entre 2006 e 2008, quando a vítima ainda era criança, e a notícia só veio à tona em 2016. O STJ afastou a alegação de decadência: como a ação era pública incondicionada desde a época dos fatos, não havia prazo decadencial de representação a ser observado.

Na prática, isso significa que o Ministério Público pode promover a persecução penal desses crimes independentemente de manifestação da família, cabendo aos tribunais verificar em cada caso a idade da vítima à época dos fatos.

O que dizem os tribunais

Informativo 764 do STJ · LEI 2.848

Antes das alterações introduzidas pela Lei n. 12.015/2009, o Ministério Público já era parte legítima para propor a ação penal pública incondicionada destinada a verificar a prática de crimes sexuais contra crianças.

Decisões recentes sobre o tema

Selecionadas automaticamente na nossa base e atualizadas com frequência.

Acórdão

Quinta Turma · Rel. Ministro Ribeiro Dantas · j. 17/09/2025

DIREITO PENAL E PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DECLARAçÃO NO RECURSO ESPECIAL. CRIMES CONTRA A DIGNIDADE SEXUAL DE ADOLESCENTES (ART. 218-B, § 2º, I, C/C ART. 69, CP). NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. ART. 619 DO CPP. nÃO OCORRÊNCIA. RECONHECIMENTO FOTOGRÁFICO. ART. 226 DO CPP. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 211/STJ. DECADÊNCIA DO DIREITO DE REPRESENTAÇÃO. INAPLICABILIDADE. VÍTIMAS MENORES DE 18 ANOS. AÇÃO PENAL PÚBLICA INCONDICIONADA. ART. 225…

Acórdão

Sexta Turma · Rel. Ministro Rogerio Schietti Cruz · j. 01/07/2025

AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EM HABEAS CORPUS. LESÕES CORPORAIS. VIOLÊNCIA DOMÉSTICA. AÇÃO PENAL INCONDICIONADA. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. 1. Eventual reconciliação entre vítima e réu, na hipótese de crime de lesões corporais praticadas no âmbito doméstico e familiar, não inviabiliza a persecução penal, por se tratar de crime de ação penal pública incondicionada. 2. O Juiz de Direito indeferiu o pedido de homologação da desistência, sob o argumento de que "a denúncia já …

Acórdão

Quinta Turma · Rel. Ministro Messod Azulay Neto · j. 10/06/2025

DIREITO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL. ESTUPRO DE VULNERÁVEL. DECADÊNCIA E DESCLASSIFICAÇÃO. AGRAVO IMPROVIDO. I. Caso em exame 1. Agravo regimental interposto contra decisão que não conheceu do habeas corpus substitutivo de recurso próprio, impetrado em favor de condenado por estupro de vulnerável, com pedido de extinção da punibilidade, absolvição ou desclassificação para importunação ofensiva ao pudor, além de questionar a dosimetria da pena. 2. O Tribunal de Justiça do Estado …

Acórdão

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Acórdão

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Acórdão

Quinta Turma · Rel. Ministro Joel Ilan Paciornik · j. 18/02/2025

DIREITO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL. VIOLAÇÃO SEXUAL MEDIANTE FRAUDE. DECADÊNCIA DO DIREITO DE REPRESENTAÇÃO. LEI 13.718/2018. MENORIDADE E FATOS OCORRIDOS APÓS A MUDANÇA LEGISLATIVA. DEVOLUÇÃO À CORTE ORIGINÁRIA. AGRAVO DESPROVIDO. I. CASO EM EXAME 1. Agravo regimental interposto pelo Ministério Público do Estado do Rio Grande do Sul contra decisão que reconheceu a extinção da punibilidade do agravante em relação a condutas praticadas antes da vigência da Lei n. 13.718/2018, de…

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