JurisprudênciaIA

Crime sexual contra vítima em vulnerabilidade temporária depende de representação dela?

Atualizado em 07/07/2026 · Fundamentado em jurisprudência de STJ

Resposta rápida

Depende do período do fato. Pela Súmula 670 do STJ, se o crime sexual contra vítima em vulnerabilidade apenas temporária foi praticado na vigência da redação do art. 225 do Código Penal dada pela Lei 12.015/2009, a ação penal é pública condicionada à representação, quando a vítima recupera o discernimento para decidir sobre a persecução penal.

O que caracteriza a vulnerabilidade temporária

A súmula trata da vítima que, no momento do crime, estava impossibilitada de oferecer resistência (por embriaguez ou inconsciência, por exemplo), mas depois recupera plenamente suas capacidades físicas e mentais e o discernimento para decidir se deseja a responsabilização do ofensor.

Nesses casos, sob a redação do art. 225 do Código Penal dada pela Lei 12.015/2009, a lei reservava à própria vítima a escolha de provocar a persecução penal: a ação é pública condicionada à representação, e não incondicionada.

O recorte temporal é decisivo

O enunciado se aplica apenas aos fatos praticados durante a vigência daquela redação do art. 225, entre a Lei 12.015/2009 e a alteração legislativa posterior. Para crimes cometidos fora desse intervalo, o regime da ação penal é outro e deve ser verificado conforme a lei vigente na data do fato.

Também é preciso distinguir a vulnerabilidade temporária da permanente: a súmula pressupõe que a vítima recuperou o pleno discernimento. Situações de vulnerabilidade duradoura não se enquadram no enunciado.

O que isso significa na prática

Em processos sobre fatos daquele período, a ausência de representação da vítima que recuperou o discernimento pode levar à extinção da punibilidade, e a defesa e a acusação precisam verificar a data do fato e a condição da vítima. Os tribunais examinam caso a caso, e as decisões recentes listadas abaixo mostram como o entendimento vem sendo aplicado.

O que dizem os tribunais

Súmula 670 do STJ

Nos crimes sexuais cometidos contra a vítima em situação de vulnerabilidade temporária, em que ela recupera suas capacidades físicas e mentais e o pleno discernimento para decidir acerca da persecução penal de seu ofensor, a ação penal é pública condicionada à representação se o fato houver sido praticado na vigência da redação conferida ao art. 225 do Código Penal pela Lei n. 12.015, de 2009. (TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 20/6/2024, DJe de 24/6/2024)

Decisões recentes sobre o tema

Selecionadas automaticamente na nossa base e atualizadas com frequência.

Acórdão

Quinta Turma · Rel. Ministro Joel Ilan Paciornik · j. 15/04/2026

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Acórdão

Sexta Turma · Rel. Ministro Og Fernandes · j. 07/04/2026

DIREITO PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. VIOLÊNCIA SEXUAL MEDIANTE FRAUDE. OMISSÃO NO ACÓRDÃO LOCAL. NÃO OCORRÊNCIA. DOSIMETRIA. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. REVISÃO DAS PREMISSAS UTILIZADAS NA CONDENAÇÃO. REVOLVIMENTO FÁTICO. REPRESENTAÇÃO DA VÍTIMA. ADEQUAÇÃO. RECURSO ESPECIAL NÃO CONHECIDO. AGRAVO REGIMENTAL IMPROVIDO. 1. Agravo regimental interposto contra decisão que conheceu do agravo para não conhecer do recurso especial manejado em …

Acórdão

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DIREITO PENAL E PROCESSUAL PENAL. RECURSO ESPECIAL. ESTUPRO DE VULNERÁVEL (ART. 217-A DO CP). REVISÃO CRIMINAL (ART. 621 DO CPP). VULNERABILIDADE ABSOLUTA. CONSENTIMENTO IRRELEVANTE. SÚMULA 593/STJ. TEMA 918/STJ. AUSÊNCIA DE EXCEPCIONALIDADE QUE JUSTIFIQUE MITIGAÇÃO. ACÓRDÃO ABSOLUTÓRIO EM DESCONFORMIDADE COM REPETITIVO. CASSAÇÃO. 1. Para a caracterização do crime de estupro de vulnerável, previsto no art. 217-A, caput, do Código Penal, basta que o agente tenha conjunção carn…

Acórdão

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PROCESSO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. ESTUPRO DE VULNERÁVEL. PRESUNÇÃO ABSOLUTA DE VULNERABILIDADE. IRRELEVÂNCIA DO CONSENTIMENTO, DA EXPERIÊNCIA SEXUAL PRÉVIA E DO RELACIONAMENTO AMOROSO. PRETENSÃO DE REVALORAÇÃO JURÍDICA QUE DEMANDA REVOLVIMENTO FÁTICO-PROBATÓRIO. ÓBICE DA SÚMULA 7/STJ. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. 1. O acórdão recorrido manteve a condenação pelo art. 217-A do Código Penal, assentando que a vítima tinha 13 anos, que o agravante sabia da i…

Acórdão

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Direito Penal. Agravo Regimental. Estupro de vulnerável. Vulnerabilidade temporária. Estado de sono. Agravo regimental não provido. I. Caso em exame 1. Agravo regimental interposto contra decisão que conheceu do agravo para dar provimento ao recurso especial, restabelecendo a sentença de primeiro grau que condenou o recorrido como incurso nos artigos 217-A, § 1º, e 61, inciso II, alínea "g", por três vezes, ambos do Código Penal. 2. A parte agravante sustenta que a vítima, ma…

Acórdão

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DIREITO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. ESTUPRO DE VULNERÁVEL. PRESUNÇÃO DE VULNERABILIDADE. RELATIVIZAÇÃO INDEVIDA. RECURSO PROVIDO. I. Caso em exame 1. Recurso especial interposto pelo Ministério Público Federal contra acórdão do Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul que absolveu o réu das imputações de estupro de vulnerável e subtração de incapaz, com base na relativização da presunção de vulnerabilidade da vítima menor de 14 anos. 2. O réu, tio …

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