A reserva de lei para a substituição tributária
A substituição tributária desloca a responsabilidade pelo recolhimento do imposto para um terceiro, que passa a responder por tributo devido em operações de outros contribuintes. Justamente por impor essa obrigação a quem não praticou o fato gerador, a medida precisa de lei em sentido estrito, aprovada pelo Poder Legislativo.
No caso analisado pelo STF, o Estado havia usado decreto para atribuir às geradoras de energia elétrica o papel de substitutas tributárias no recolhimento do ICMS. A Corte considerou o mecanismo inconstitucional: decreto não é veículo normativo apto para instituir substituição tributária.
O que isso significa na prática
Empresas alcançadas por regimes de substituição tributária criados por decreto, e não por lei, podem questionar judicialmente a exigência. A discussão não é sobre a possibilidade de substituição tributária em si, que é admitida quando instituída por lei, mas sobre o instrumento normativo utilizado.
Cada regime deve ser examinado caso a caso, verificando se a atribuição de responsabilidade tem base legal adequada ou se decorre apenas de ato infralegal. As decisões abaixo ilustram a aplicação desse entendimento.
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