O que é a verossimilhança preponderante
A teoria, desenvolvida no direito comparado, sustenta que a parte com a posição mais verossímil deve ser beneficiada pelo julgamento. O STJ a considerou compatível com o processo civil brasileiro, desde que usada para superar o estado de dúvida do julgador, que tem o dever de decidir mesmo quando a prova técnica é frágil.
No caso, uma voluntária de estudo clínico, comprovadamente saudável antes das doses do fármaco, desenvolveu doença de pele logo depois. Como a perícia não conseguiu confirmar nem afastar o nexo causal, o conjunto probatório favorável à autora levou o tribunal a atribuir à ré as consequências de não ter demonstrado a inexistência do nexo, na chamada dimensão objetiva do ônus da prova.
A responsabilidade em pesquisas com seres humanos
O julgado também se apoiou nas normas regulatórias: a RDC 9/2015 da Anvisa responsabiliza o patrocinador pelas despesas de diagnóstico, tratamento e internação ligadas a eventos adversos do ensaio clínico, e a Resolução 466/2012 do Conselho Nacional de Saúde assegura assistência integral e prevê direito à indenização dos participantes.
Reconhecida a incapacidade permanente, o STJ entendeu devido o pensionamento vitalício, sem que isso configure enriquecimento sem causa. A aplicação da teoria, porém, é casuística: os tribunais examinam o conjunto probatório de cada processo antes de inverter as consequências da dúvida pericial.
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