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Quando há justa causa para receber denúncia de peculato-desvio de verbas repassadas a entidade do terceiro setor?

Atualizado em 07/07/2026 · Fundamentado em jurisprudência de STJ

Resposta rápida

Depende do lastro probatório mínimo. Segundo entendimento do STJ divulgado em informativo, há justa causa para receber denúncia de peculato-desvio quando a acusação se apoia em prova inicial de materialidade (laudos, extratos, relatórios e procedimentos administrativos) e em indícios suficientes de autoria, ficando dolo e domínio do fato para a instrução.

O papel da justa causa no recebimento da denúncia

A justa causa, prevista no art. 395, III, do CPP, é condição da ação penal destinada a impedir acusações abusivas ou temerárias. Não se exigem provas cabais de autoria e materialidade nesse momento, mas a denúncia precisa vir acompanhada de suporte indiciário suficiente para demonstrar a plausibilidade da imputação, algo além da mera conjectura.

Nesse juízo de delibação, eventual dúvida residual não leva à rejeição liminar da denúncia: havendo suporte probatório mínimo, instaura-se a instrução, fase em que as versões em conflito serão submetidas ao contraditório pleno. Receber a denúncia não antecipa condenação.

Como isso se aplicou ao desvio de verbas do terceiro setor

No caso examinado, a materialidade do peculato-desvio de recursos repassados a instituto do terceiro setor encontrou amparo inicial em laudo pericial contábil, extratos bancários, relatórios de informação, procedimentos administrativos e elementos de quebras de sigilo fiscal e bancário, com contas reprovadas ou sem prestação adequada. Os indícios de autoria envolveram, quanto às denunciadas, a atuação decisiva na destinação dos recursos, o recebimento de vantagens e a administração de fato da entidade.

As controvérsias sobre dolo, domínio do fato e a natureza dos atos praticados, segundo o entendimento, devem ser resolvidas na fase instrutória, não no juízo de admissibilidade. A suficiência dos indícios, de todo modo, é avaliada caso a caso pelos tribunais.

O que dizem os tribunais

Informativo 893 do STJ

Há justa causa para a ação penal quando a acusação de peculato-desvio se apoia em prova inicial de materialidade (laudos, extratos, relatórios e procedimentos administrativos) e em indícios suficientes de autoria, devendo as controvérsias sobre dolo, domínio do fato e natureza dos atos praticados ser resolvidas na fase instrutória.

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