JurisprudênciaIA

Policial pode acessar dados do celular apreendido em busca sem esperar o perito oficial?

Atualizado em 07/07/2026 · Fundamentado em jurisprudência de STJ

Resposta rápida

Sim, para atos preliminares. Segundo entendimento do STJ em informativo de jurisprudência, o agente policial pode verificar e coletar preliminarmente dados de celular durante o cumprimento de mandado de busca e apreensão, sem participação imediata de perito oficial. A integridade da prova digital é garantida depois, pela cópia por espelhamento com função hash.

O que o policial pode fazer sem o perito

As fases de reconhecimento e coleta previstas no art. 158-B, I e IV, do CPP ocorrem antes da perícia técnica oficial do art. 159. Por isso, o STJ, na linha de precedente da Primeira Turma do STF, admite que o agente policial manipule o aparelho no momento da busca para verificar se ele pode armazenar informações ligadas ao crime investigado, sem que isso gere nulidade.

O raciocínio se completa com a premissa de que a apreensão do celular pressupõe o acesso aos dados nele armazenados, já que a finalidade da medida não é o aparelho em si, mas o seu conteúdo.

Como se garante a integridade da prova digital

O método aceito é a cópia por espelhamento dos dados com uso da função matemática hash, que gera um código alfanumérico funcionando como impressão digital da evidência: qualquer alteração posterior no conteúdo produz código diverso. O exame deve recair sobre a cópia, preservando a mídia original, em sintonia com o Procedimento Operacional Padrão do Ministério da Justiça de 2024.

Importante: para o STJ, eventual desconformidade com as regras de cadeia de custódia (arts. 158-A a 158-F do CPP) não gera nulidade automática, mas afeta a eficácia da prova, analisada no caso concreto. A defesa precisa demonstrar concretamente adulteração ou prejuízo; a mera ausência de documentação, por si só, não basta, nem se presume má-fé dos agentes públicos.

O que dizem os tribunais

Informativo 891 do STJ · Corpus 242.158

1. A realização de cópia por espelhamento de dados utilizando-se da função matemática hash é instrumento hábil para garantir a integridade e a auditabilidade da evidência imaterial. 2. O agente policial pode realizar a verificação e a coleta preliminar de dados em aparelho celular durante o cumprimento de mandado de busca e apreensão, sem a necessidade imediata da participação de um perito oficial.

Decisões recentes sobre o tema

Selecionadas automaticamente na nossa base e atualizadas com frequência.

Acórdão

Quinta Turma · Rel. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca · j. 16/06/2026

PROCESSO PENAL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CADEIA DE CUSTÓDIA. PROVA DIGITAL EXTRAÍDA POR "PRINTS" DE TELA. ALEGAÇÃO DE REVALORAÇÃO JURÍDICA. NECESSIDADE DE REVOLVIMENTO FÁTICO-PROBATÓRIO. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 7/STJ. TRÁFICO PRIVILEGIADO. CONDENAÇÃO PELO ART. 35 DA LEI 11.343/2006 MANTIDA. ALINHAMENTO À JURISPRUDÊNCIA DO STJ. ÓBICE DA SÚMULA 83/STJ. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO.1. Sustentada a nulidade das provas digitais por suposta quebra da cadeia de custó…

Acórdão

Quinta Turma · Rel. Ministro Messod Azulay Neto · j. 15/06/2026

Direito processual penal. Agravo regimental. Habeas corpus substitutivo. Cadeia de custódia de provas digitais. Nulidade de algibeira. Preclusão. Revolvimento fático-probatório. Agravo desprovido.I. Caso em exame1. Agravo regimental contra decisão monocrática que não conheceu do habeas corpus, ante o seu caráter substitutivo, e afastou a concessão de ofício, sob o fundamento de que a alegação de quebra da cadeia de custódia de provas digitais (prints de Google Fotos e WhatsAp…

Acórdão

Quinta Turma · Rel. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca · j. 15/06/2026

PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. TRÁFICO DE DROGAS. CELULAR APREENDIDO COM O MENOR INFRATOR. PER"CIA REALIZADA. ALEGAÇÃO DE RUPTURA DA CADEIA DE CUSTÓDIA DE PROVA DIGITAL. INADEQUAÇÃO DA VIA ELEITA. COGNIÇÃO SUMÁRIA. INSTRUÇÃO EM CURSO NO JUÍZO DE ORIGEM. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. INOCORRÊNCIA. DISTINÇÃO DE PARADIGMA. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO.1. A Corte estadual, sem adentrar o mérito da alegada quebra da cadeia de c…

Acórdão

j. 03/06/2026

DIREITO PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS. TRANCAMENTO DE AÇÃO PENAL. PROVA DIGITAL. CADEIA DE CUSTÓDIA. DENÚNCIA APTA. AGRAVO IMPROVIDO.I. CASO EM EXAME1. O recurso. Agravo regimental contra decisão que negou provimento a recurso ordinário em habeas corpus, mantendo prisão cautelar e o prosseguimento da ação penal por suposto tráfico de drogas.2. Fato relevante. A Defesa sustenta a nulidade da prova digital que embasa a denúncia, por a…

Acórdão

j. 03/06/2026

Direito processual penal. Agravo regimental em recurso ordinário em habeas corpus. Trancamento de ação penal. Prova digital. Cadeia de custódia. Denúncia apta. Agravo IMprovido.I. Caso em exame1. O recurso. Agravo regimental contra decisão que negou provimento a recurso ordinário em habeas corpus, mantendo prisão cautelar e o prosseguimento da ação penal por suposto tráfico de drogas.2. Fato relevante. A Defesa sustenta a nulidade da prova digital que embasa a denúncia, por a…

Acórdão

j. 03/06/2026

AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EM HABEAS CORPUS. QUEBRA DA CADEIA DE CUSTÓDIA DE PROVA DIGITAL EXTRAÍDA DE TELEFONE CELULAR. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. DECISÃO MANTIDA. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO.1. A tese de nulidade arguida pela defesa não foi debatida no Tribunal de origem, motivo por que esta Corte está impedida de se manifestar sobre o tema, sob pena de incidir em indevida supressão de instância.2. Esta Corte Superior de Justiça compreende que o agravo regimental deve traz…

Pesquise a jurisprudência completa

Busque decisões sobre este e outros temas em dezenas de tribunais brasileiros.

Pesquisar jurisprudência

Perguntas relacionadas

Como elaboramos esta resposta

As citações são conferidas contra a nossa base de jurisprudência antes da publicação, e a lista de decisões recentes é gerada automaticamente a partir dela. Este conteúdo tem caráter informativo e não constitui aconselhamento jurídico; para um caso concreto, procure um advogado.