Informativo 749 do STJ
“A mera referência à legalidade da interceptação telefônica, com exclusiva intenção de justificar a imposição de outra medida cautelar, não significa que tenha havido a sua validação pelo STJ.”
Atualizado em 07/07/2026 · Fundamentado em jurisprudência de STJ
Não. Segundo o STJ, em informativo de jurisprudência, a mera referência à legalidade da interceptação telefônica, feita apenas para justificar a imposição de outra medida cautelar, não significa que a Corte tenha validado a prova. Sem exame efetivo da fundamentação das decisões que autorizaram ou prorrogaram a medida, não há chancela do tribunal.
Na origem, o tribunal reformou sentença que havia extinguido o processo por nulidade das decisões de prorrogação da interceptação telefônica, sob o único fundamento de que o STJ já teria chancelado esses atos. O STJ, porém, esclareceu que nunca analisou a fundamentação daquelas decisões.
A Corte apenas mencionou a interceptação, de passagem, como suporte probatório para decretar outra cautelar, a busca e apreensão. Não houve exame do conteúdo das decisões nem de sua compatibilidade com o art. 5º da Lei 9.296/1996, que rege a fundamentação e os prazos da medida.
O precedente impede que uma menção incidental seja transformada em validação definitiva da prova. Entender de modo diverso cercearia a defesa, que suscitou a questão mas não teve seus argumentos examinados porque o processo foi devolvido à origem.
Na prática, a defesa que questiona a legalidade de interceptações deve verificar se houve julgamento efetivo do tema, com análise da fundamentação, e não apenas referências laterais. Os tribunais avaliam esse tipo de alegação caso a caso, à luz do que foi realmente decidido.
“A mera referência à legalidade da interceptação telefônica, com exclusiva intenção de justificar a imposição de outra medida cautelar, não significa que tenha havido a sua validação pelo STJ.”
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